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Sabesp vai retirar menos água do Sistema Cantareira

Redução no volume de retirada está em linha com medidas adotadas pelo Governo de São Paulo para preservar os níveis dos reservatórios

29/08/2025 às 15h28
Por: Diogo Germano Fonte: Secom SP
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A medida é resultado da redução do nível dos reservatórios do Sistema Cantareira
A medida é resultado da redução do nível dos reservatórios do Sistema Cantareira

A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e a Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas) reduziram o volume autorizado de retirada de água do Sistema Cantareira, de 31 m3/s para 27 m3/s. A gestão do Cantareira é realizada de forma conjunta pelas duas agências, que acompanham diariamente os dados de níveis, vazões e armazenamento para subsidiar decisões de operação.

A alteração segue critérios definidos pela Resolução Conjunta nº 925/2017, elaborada após a crise hídrica de 2014/2015. A norma estabelece limites de retirada de água de acordo com o volume acumulado no Sistema Cantareira, conferindo previsibilidade às condições operativas e maior segurança hídrica para a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) e para as bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ).

Prevenção

A medida é resultado da redução do nível dos reservatórios do Sistema Cantareira, que atingiu volumes inferiores a 40% em agosto, associada às chuvas abaixo da média nos últimos meses. Neste momento, o Sistema — formado pelos reservatórios Jacareí, Jaguari, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro — registra 35,23% de seu volume útil.

Com a decisão, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) poderá retirar do sistema até 27 metros cúbicos por segundo (m³/s), em vez dos 31 m³/s autorizados até agosto.

Como medida de mitigação, a Sabesp poderá utilizar a vazão bombeada do reservatório de Jaguari, localizado na bacia do rio Paraíba do Sul, para chegar ao limite outorgado de 33 m³/s.

As agências recomendam a adoção de medidas adicionais pela Sabesp e demais usuários para preservar o volume de água nos reservatórios do sistema.

Medidas anteriores

Dando sequência ao trabalho integrado de monitoramento e prevenção contra a escassez hídrica, o Governo de São Paulo anunciou na segunda-feira (25) medidas adicionais de garantia da segurança hídrica no estado . Por orientação da SP Águas, a Agência Reguladora de Serviços Públicos de São Paulo (Arsesp) determinou o início de um regime de prevenção e contingência, com ações para preservar os níveis dos reservatórios. A evolução destas ações está sendo acompanhada pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) e pela Defesa Civil no âmbito do Comitê Gestor da Política Estadual de Mudanças Climáticas.

O regime deliberado pela Arsesp prevê que a Sabesp promova, na região metropolitana coberta pelo Sistema Integrado Metropolitano (SIM), a prática de gestão de demanda noturna pelo prazo de oito horas, de 21h às 05h, garantindo uma economia de 4m3 por segundo. A medida é válida até que sejam recuperados os níveis dos reservatórios que abastecem a região metropolitana. A agência também solicitou à concessionária que apresente um Plano de Contingência específico para a RMSP.

O Governo de São Paulo está promovendo uma campanha de conscientização da população para a redução do consumo por meio de medidas práticas, como a contenção de vazamentos, o uso de chuveiros eficientes, o uso de máquinas de lavar com carga completa, entre outras.

Resiliência

O Sistema Integrado Metropolitano interliga grandes e pequenos mananciais, adutoras e estações de tratamento, permitindo transferências de água entre sistemas produtores. Essa operação integrada reduz riscos de desabastecimento e aumenta a resiliência em cenários de seca ou demanda elevada. A transposição Jaguari-Atibainha, que aporta água proveniente da Bacia do Paraíba do Sul, e a conclusão do Sistema São Lourenço são exemplos de obras realizadas pela Sabesp que contribuíram para o aumento da resiliência. Outras obras estão previstas, como a captação de água do Rio Itapanhaú e Ribeirão Sertãozinho, um investimento de R$ 200 milhões que vai permitir captação de 2 mil litros/segundo. De acordo com a Sabesp, mais de R$ 1,2 bilhão estão previstos para novas obras de resiliência hídrica até 2027.